Copa do Mundo 2026 deve movimentar R$ 61 bilhões na economia brasileira, aponta SPC Brasil

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A pesquisa mostra que 60% dos brasileiros pretendem gastar durante o torneio, beneficiando supermercados, bares, restaurantes, delivery e serviços de entretenimento, enquanto especialistas alertam para a importância do planejamento financeiro.

 

A Copa do Mundo de 2026 já provoca impactos nas expectativas do mercado brasileiro. Levantamento realizado pelo SPC Brasil aponta que 60% dos consumidores pretendem gastar com produtos e serviços durante o torneio, o equivalente a aproximadamente 99,2 milhões de pessoas. Com ticket médio estimado em R$ 619 por consumidor, a expectativa é que o evento movimente cerca de R$ 61 bilhões em todo o país.

Os números reforçam a Copa como um dos principais motores sazonais do consumo no Brasil, impulsionando especialmente os segmentos de alimentação, entretenimento, varejo e serviços. Supermercados, aplicativos de delivery, bares e restaurantes aparecem entre os setores com maior potencial de crescimento durante o período.

O estudo também evidencia que a força do torneio vai muito além do interesse esportivo e está diretamente ligada ao comportamento social dos brasileiros. Apenas 3% dos entrevistados afirmam que pretendem assistir aos jogos sozinhos, enquanto 97% planejam acompanhar as partidas ao lado de familiares, amigos ou colegas de trabalho.

“O potencial econômico da Copa é expressivo porque estamos falando de um evento que mobiliza consumo, lazer e convivência social ao mesmo tempo. Para o varejo e os serviços, trata-se de uma oportunidade importante de geração de receita em um curto espaço de tempo. Porém, é fundamental que o consumidor mantenha o planejamento financeiro para que o impacto positivo do evento não se transforme em dificuldades futuras”, afirma João Paulo Travasso Maia, coordenador de Soluções do SPC Brasil.

Supermercados, bares e delivery devem concentrar os maiores gastos

Entre os produtos mais procurados pelos consumidores estão bebidas não alcoólicas (68%), petiscos (62%), roupas e camisetas temáticas (61%), itens para churrasco (60%) e cervejas (59%).

No setor de serviços, o destaque fica para o delivery de comida e bebida (61%), bares e restaurantes (39%), pacotes de TV por assinatura voltados ao esporte (33%) e plataformas de streaming (30%).

A pesquisa revela ainda que 44% dos consumidores pretendem fazer as compras com pelo menos uma semana de antecedência, buscando promoções e evitando filas.

As compras presenciais seguem predominando, principalmente nos supermercados (70%) e nas lojas de rua (33%). Ao mesmo tempo, os canais digitais continuam ganhando espaço, com destaque para os aplicativos de entrega, utilizados por 51% dos entrevistados.

O PIX permanece como principal forma de pagamento para as despesas relacionadas à Copa, citado por 57% dos consumidores. Além disso, nove em cada dez entrevistados afirmam que pretendem realizar as compras à vista.

Apesar desse comportamento mais cauteloso, o levantamento aponta um dado que inspira atenção: 27% dos consumidores pretendem recorrer ao limite do cartão de crédito ou ao cheque especial para financiar gastos durante o torneio.

“O crédito pode ser uma ferramenta útil quando existe planejamento. O problema surge quando modalidades de alto custo passam a ser utilizadas para financiar gastos relacionados ao lazer. Nesses casos, uma despesa temporária pode gerar um comprometimento financeiro que se estende muito além do fim do torneio”, explica João Paulo Travasso Maia.

Outro dado preocupante é que 61% dos consumidores que pretendem gastar durante a Copa já possuem contas em atraso. Entre eles, 70% estão negativados em órgãos de proteção ao crédito.

Consumo coletivo fortalece marcas e acende alerta para apostas esportivas

O levantamento confirma que a Copa do Mundo continua sendo um evento essencialmente coletivo para os brasileiros.

A maioria dos entrevistados pretende assistir aos jogos com familiares (77%) e amigos (60%). A residência permanece como o principal local para acompanhar as partidas, escolhida por 86% dos consumidores. Bares, restaurantes e encontros em casas de amigos também devem registrar aumento na movimentação durante o torneio.

Entre aqueles que pretendem assistir aos jogos em bares ou restaurantes, os principais critérios para escolha do estabelecimento são o preço das refeições (37%), o ambiente (34%), a qualidade das bebidas e alimentos (34%) e o preço das bebidas (33%).

Na transmissão das partidas, a TV aberta continua liderando a preferência dos brasileiros, alcançando 75% dos entrevistados. Os serviços de streaming, porém, consolidam seu crescimento e já aparecem como opção para 38% dos consumidores.

O estudo mostra ainda que 74% dos consumidores pretendem dar preferência às marcas patrocinadoras da Seleção Brasileira durante a Copa. Para 53%, essa escolha dependerá do preço dos produtos, enquanto 21% afirmam optar pelos patrocinadores independentemente do valor.

“O patrocínio esportivo continua sendo um importante ativo para construção de marca. No entanto, em um cenário de orçamento pressionado, o consumidor segue extremamente sensível a fatores como preço, promoções e percepção de valor”, destaca João Paulo Travasso Maia.

Outro comportamento observado pelo SPC Brasil é o avanço das apostas esportivas durante grandes competições. Segundo a pesquisa, 41% dos consumidores pretendem fazer apostas financeiras durante a Copa do Mundo. Entre eles, 21% afirmam que devem apostar em todos os jogos da Seleção Brasileira.

O dado que mais preocupa, entretanto, é a motivação financeira. Entre os consumidores que pretendem apostar, 74% enxergam essa prática como uma forma de ajudar no pagamento de dívidas.

Caso obtenham ganhos relevantes, 39% afirmam que pretendem reinvestir o dinheiro em novas apostas, enquanto 34% utilizariam os recursos para quitar débitos em atraso.

“Quando a aposta deixa de ser vista como entretenimento e passa a ser percebida como solução financeira, surge um sinal importante de alerta. O pagamento de dívidas depende de renda, planejamento e negociação. Apostar esperando resolver problemas financeiros pode aumentar ainda mais a vulnerabilidade econômica do consumidor”, conclui o coordenador de Soluções do SPC Brasil.

Sobre a pesquisa

O levantamento foi realizado pelo SPC Brasil entre 27 de abril e 5 de maio de 2026, com consumidores das 27 capitais brasileiras. Foram entrevistadas 916 pessoas em uma etapa inicial e, posteriormente, 600 consumidores que declararam intenção de realizar gastos relacionados à Copa do Mundo. A margem de erro é de quatro pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Imagem ilustrativa (IA)

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