“Na Terra: Fluxos do Devir — Memória, Materiais e Nova Natureza” reúne artistas chineses de diferentes gerações para refletir sobre ecologia, memória e coexistência, reafirmando uma parceria cultural construída pela Bienal ao longo de quase duas décadas
Curitiba, julho de 2026 | Muito antes de o Brasil e a China celebrarem oficialmente o Ano da Cultura Brasil-China, em 2026, a Bienal Internacional de Curitiba já criava uma ponte entre os dois países por meio da arte contemporânea. Desde 2009, artistas, curadores e instituições chinesas participam do evento de forma contínua, consolidando uma das mais longevas e relevantes parcerias culturais entre a América Latina e a China. O reconhecimento desse diálogo ganhou forma permanente em setembro de 2017, quando o governo chinês doou à capital paranaense uma estátua em bronze do filósofo Confúcio, criada pelo escultor Wu Weishan e hoje instalada no Centro Cívico como legado da Bienal.
Essa trajetória ganha um novo capítulo na 16ª Bienal Internacional de Curitiba com a exposição “Na Terra: Fluxos do Devir — Memória, Materiais e Nova Natureza”, em cartaz na Sala 3 do Museu Oscar Niemeyer (MON). Integrando o conceito curatorial LIMIARES, a mostra reúne importantes nomes da arte contemporânea chinesa para refletir sobre ecologia, memória, transformação e coexistência, reafirmando a arte como uma linguagem capaz de aproximar culturas e construir diálogos em escala global.
A exposição segue no diálogo entre Oriente e América Latina. Sob curadoria de Xiao Ge e Windy Lv, o percurso estabelece aproximações entre o pensamento oriental – representado pela noção do Dao, entendida como fluxo permanente de transformação – e imagens profundamente presentes na cultura latino-americana, como o rio e o rizoma, metáforas de vida, movimento e coexistência. Em comum, essas referências apontam para um mesmo território: o instante em que algo deixa de ser o que era para tornar-se outra coisa. É justamente esse espaço de passagem que define o conceito de LIMIARES.
“O rio nunca pergunta onde estão as fronteiras; ele simplesmente segue seu curso.” A imagem utilizada pela curadora Windy Lv sintetiza a proposta da mostra. Em vez de reforçar diferenças entre culturas, a exposição utiliza a arte como linguagem comum para discutir convivência, sustentabilidade, memória e paz em um mundo marcado por transformações aceleradas e tensões geopolíticas.
Distribuída em três núcleos – Raízes: Caos e Origem, Rizomas: Natureza e Simbiose e Frutos: Civilização e Eco -, a exposição reúne artistas de diferentes gerações cujas pesquisas se materializam em instalação, vídeo, escultura, fotografia e novas mídias. O percurso parte dos mitos fundadores das civilizações para refletir sobre os desafios ambientais contemporâneos e culmina em uma investigação sobre memória, urbanização, identidade e reconstrução cultural.
Entre os destaques estão Xu Bing, um dos artistas chineses mais influentes da atualidade, reconhecido internacionalmente por suas investigações sobre linguagem, escrita e sistemas culturais; Yin Xiuzhen, cuja produção transforma roupas, fragmentos e objetos descartados em instalações que discutem memória, urbanização e globalização; e Shen Yuan, artista radicada em Paris que desenvolve projetos site specific voltados às relações entre migração, pertencimento e convivência intercultural. A mostra reúne ainda pesquisas de artistas como Xia Hang, conhecido por suas esculturas de grandes dimensões e estruturas mecânicas lúdicas, Tong Kunniao, que trabalha com objetos descartados para refletir sobre a sociedade de consumo, e Qian Lihuai, responsável por atualizar a tradição milenar da cestaria de bambu em uma linguagem contemporânea.
O panorama apresentado pela Bienal também evidencia a diversidade da produção chinesa atual por meio de artistas de diferentes gerações e linguagens, como Yang Song, Chen Fenwan, Wu Guanzhen, Chen Zhuo, Lin Chenxi, Xue Lei, Che Jianquan, A Duo, Luo Xi, Lu Hang, Wu Qian, Alex Long Yuan, Geng Le e Kalman Pool, cujas pesquisas transitam entre pintura, instalação, escultura, vídeo, performance, arte digital, inteligência artificial, materiais tradicionais e novas tecnologias. Em conjunto, suas obras revelam uma produção artística profundamente conectada às questões ambientais, culturais e sociais que atravessam o mundo contemporâneo
Para a curadoria, a exposição ultrapassa a dimensão artística e assume um papel diplomático. “A cultura é aquilo que nos une, e o diálogo é o que permite que a humanidade mantenha a esperança”, escreve Windy Lv no texto curatorial, ressaltando que Brasil e China encontram na arte um espaço privilegiado para construir aproximações e imaginar futuros compartilhados.
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo Federal – Do lado do povo brasileiro, MON, MAC Paraná e Paraná Festival – Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) – Governo do Paraná. Apoio: Fundação Cultural de Curitiba (FCC) – Prefeitura de Curitiba. Acompanhe pelos sites www.16bienaldecuritiba.org, www.curitibaartweek.com e pelas redes sociais no Instagram @bienaldecuritiba @cubic.bienal e @curitibaartweek, no Facebook @bienaldecuritiba, no Linkedin @bienaldecuritiba e no Tik Tok @bienaldecuritiba
SOBRE A BIENAL DE CURITIBA I A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba é um dos principais eventos de arte da América Latina e uma plataforma de referência para a produção e o pensamento contemporâneo. Realizada desde 1993, ocupa museus, galerias e espaços públicos com uma programação que reúne exposições, performances, instalações e ações educativas. Com forte vocação para o diálogo internacional, a Bienal conecta artistas de diferentes países e promove encontros entre produção local e global. Ao longo de sua trajetória, já recebeu nomes como Marina Abramović, Julio Le Parc, Louise Bourgeois, Anish Kapoor e Cildo Meireles. Além do circuito expositivo, destaca-se pelo impacto cultural e educativo, com programas de formação e ampliação de acesso à arte. Em sua última edição presencial, reuniu mais de um milhão de visitantes, consolidando Curitiba como um polo relevante no circuito internacional da arte contemporânea.
SERVIÇO
16.ª Bienal Internacional de Curitiba – LIMIARES
Exposição: Na Terra: Fluxos do Devir — Memória, Materiais e Nova Natureza
Curadoria: Xiao Ge e Windy Lv
Local: Sala 3 do Museu Oscar Niemeyer (MON) – Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico, Curitiba (PR)
Período: Até 15 de novembro de 2026
Visitação:
Terça a domingo, das 10h às 18h (acesso até as 17h30)
Ingressos:
R$ 36 (inteira)
R$ 18 (meia-entrada)
Entrada gratuita:
Quartas-feiras e no último domingo de cada mês.
Apoio: TCL Art (televisores em Led)
Informações:
www.16bienaldecuritiba.org
@bienaldecuritiba















