IA avança nas empresas, mas falta de capacitação prejudica
Bruno Castro: “O objetivo não deveria ser terceirizar o pensamento para a inteligência artificial, mas ampliar a capacidade humana de analisar, criar e decidir.”
A inteligência artificial generativa entrou no ambiente corporativo em velocidade acelerada, mas muitas empresas ainda não descobriram como transformar a tecnologia em resultados concretos.
O problema, segundo especialistas em gestão, já não está apenas no acesso às ferramentas, mas na capacidade das organizações de preparar seus profissionais para utilizá-las de forma estratégica.
Em um cenário no qual ferramentas como o ChatGPT estão cada vez mais presentes na rotina profissional, capacitar pessoas passa a ser tão importante quanto investir na própria tecnologia.
Na avaliação de Bruno Castro consultor em Processos e IA aplicada à Gestão, responsável pela B.Castro Consultoria, o risco está em acreditar que a simples disponibilização da ferramenta será suficiente para gerar produtividade.
“A empresa pode ter a melhor ferramenta disponível e continuar trabalhando da mesma maneira. O resultado não está na ferramenta, mas na forma como as pessoas passam a trabalhar depois que aprendem a utilizá-la”, afirma.
Um profissional preparado pode utilizar a IA para eliminar etapas burocráticas, resumir documentos, organizar informações, gerar análises, estruturar apresentações, apoiar pesquisas e acelerar tarefas que antes consumiam horas. O ganho, porém, depende da capacidade de identificar quais atividades realmente podem ser potencializadas pela tecnologia.
“O objetivo não deveria ser terceirizar o pensamento para a inteligência artificial, mas ampliar a capacidade humana de analisar, criar e decidir. Quando tiramos o profissional de atividades operacionais que consomem tempo, permitimos que ele utilize sua capacidade em tarefas de maior valor”, explica Bruno.
A necessidade de capacitação já aparece entre as grandes empresas brasileiras. Pesquisa realizada pela IDC entre março e abril de 2026 com executivos de organizações com mais de mil funcionários identificou que 30% apontam a escassez de talentos como uma das principais barreiras para a adoção da inteligência artificial. Como resposta, 86% das empresas pesquisadas afirmam investir na capacitação das equipes de tecnologia e 71% também estão treinando profissionais das áreas de negócios.
Para Bruno, à medida que o acesso às ferramentas se torna cada vez mais democrático, o verdadeiro diferencial competitivo tende a mudar. “A IA será cada vez mais acessível. O diferencial não será simplesmente ter acesso à tecnologia, mas ter pessoas preparadas para fazer perguntas melhores, encontrar soluções melhores e tomar decisões melhores com o apoio dela.”
Produtores rurais enfrentam onda de leilões e restrição severa de crédito
Marco Pelozato: “O avanço dos leilões de propriedades rurais reforça a pressão financeira enfrentada pelo setor”
O agronegócio brasileiro iniciou em 2026 sob um novo sinal de alerta. Dados divulgados pela Reuters em junho mostram que o volume de créditos problemáticos ligados ao setor rural alcançou R$171,2 bilhões, mais de quatro vezes acima do registrado dois anos atrás.
Ao mesmo tempo, o aumento dos leilões de propriedades rurais e a maior seletividade na concessão de crédito indicam que produtores e empresas da cadeia agropecuária enfrentam um ambiente financeiro mais desafiador, movimento que deve impulsionar a procura por recuperação judicial e mecanismos de reorganização financeira ao longo do ano.
Para Marco Pelozato, (@marcospelozato.oficial)
advogado, contador e empresário com 14 anos de atuação em recuperação judicial, reestruturação empresarial e gestão de crise, os indicadores de 2026 mostram que parte do setor entrou em um ciclo de pressão financeira que vai além das oscilações normais da atividade rural.
O especialista acompanha processos de reorganização financeira envolvendo produtores, agroindústrias e fornecedores do setor. “O que estamos observando é um aumento da vulnerabilidade financeira em diversos elos da cadeia. Muitos produtores e empresas ligadas ao campo enfrentam dificuldades para manter o fluxo de caixa e reorganizar passivos acumulados nos últimos ciclos”, afirma.
Entre os segmentos mais vulneráveis, o especialista destaca produtores de soja, milho e outras culturas de grãos, além de pecuaristas, tradings, armazenadoras e empresas ligadas ao fornecimento de insumos. Segundo ele, a pressão sobre as margens tem levado mais empresas a buscar alternativas para reorganizar suas finanças.
“Muitos produtores ainda enxergam esse instrumento como uma medida extrema. Na prática, trata-se de uma ferramenta legal que permite reorganizar passivos, preservar a produção e criar condições para a continuidade da atividade”, afirma.
O avanço dos leilões de propriedades rurais reforça a pressão financeira enfrentada pelo setor. Reportagem publicada pela Reuters mostra que o número de leilões aumentou significativamente nos últimos meses, impulsionado pela alta da inadimplência e pelo crescimento do endividamento rural.
O levantamento também aponta que os créditos problemáticos ligados ao setor agropecuário alcançaram R$171,2 bilhões no início de 2026, evidenciando o tamanho do desafio enfrentado por produtores e credores.
Para o advogado e contador, empresas rurais e produtores que adotarem uma postura preventiva terão mais chances de preservar patrimônio, manter operações e atravessar períodos de instabilidade sem comprometer a continuidade dos negócios.
“Os próximos meses exigirão gestão profissional, planejamento financeiro e acompanhamento constante dos indicadores do negócio. A tendência é de aumento na procura por mecanismos de reorganização financeira ao longo de 2026. Quem buscar orientação especializada mais cedo terá mais alternativas para atravessar esse período de pressão”, conclui.
Investimento de R$ 100 milhões em Guabiruba
Walney Agílio Raimondi, Alexandre Melchioretto e Bruno Melchioretto durante a apresentação do empreendimento. Foto: Divulgação
O mercado imobiliário de Guabiruba, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, recebe um novo empreendimento com VGV previsto de R$ 100 milhões. Desenvolvido pela holding Plenum Gestão Empresarial, o Gran Monvieri Condomínio Club terá 144 terrenos, com áreas entre 356 m² e 1.273 m², distribuídos em uma área total de 212,5 mil m². O projeto destina mais de 64 mil m² a áreas verdes e de preservação permanente. À frente do empreendimento estão os empresários Walney Agílio Raimondi e Alexandre Melchioretto, que apostam na proximidade com Brusque e na proposta de condomínio-clube horizontal para atender à demanda por moradia na região.













