Projeto inédito transforma a Trilha das Araucárias em uma experiência imersiva que une arte, tecnologia e educação ambiental em meio à natureza
Quem percorrer a Trilha das Araucárias, no Parque de Natureza Buraco do Padre, em breve terá a sensação de caminhar dentro de um verdadeiro “museu natural”. O atrativo turístico, em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, contratou o artista plástico Tony Reis para produzir esculturas em tamanho real de espécies da fauna associadas à araucária, árvore símbolo do Paraná, criando uma experiência imersiva que une arte, tecnologia e conscientização ambiental.
O projeto aposta em um nome reconhecido nacionalmente e com forte presença em espaços públicos e grandes eventos. Com mais de 25 anos de trajetória em seu ateliê no bairro Bom Retiro, em Curitiba, Tony Reis acumula obras em locais como o Parque Ibirapuera, em São Paulo, e o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, onde desenvolveu trabalhos a convite do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O artista também possui exposição permanente na Ilha do Mel e esculturas instaladas em espaços urbanos de Curitiba, como praças e espaços privados.
Além dos espaços públicos, Tony também se destaca por levar a arte a grandes festivais, ajudando a consolidar um novo mercado de instalações para grandes públicos. Seus trabalhos já marcaram presença em eventos na Pedreira Paulo Leminski, além de festivais como Universo Paralelo, Warung Day, Lollapalooza, entre outros.
“Estou levando arte para festivais, onde as pessoas passam muitas horas imersas naquele ambiente. Isso abriu um novo olhar: a arte precisa estar onde o público está. No Buraco do Padre, essa ideia ganha ainda mais sentido, porque a obra nasce para aquele lugar específico, fora dali, ela não teria o mesmo impacto”, afirma Tony Reis.
No novo projeto, o artista desenvolve um conjunto de esculturas que recriam, com alto grau de realismo, espécies como gralha-azul, papagaio-de-peito-roxo, cotia, serelepe, graxaim, lobo-guará, veado, jaguatirica e onça-parda, todos animais que fazem parte do ecossistema ligado à araucária.
A proposta é construir uma narrativa visual sobre o ciclo de vida dessa árvore e a relação com os animais que dela dependem.

“A araucária não é só uma árvore, ela sustenta um ecossistema inteiro. A gralha-azul, por exemplo, ajuda a plantar o pinhão, e outros animais se alimentam e vivem ao redor dela. A ideia é criar cenas que mostrem esse ciclo de vida, como se o visitante estivesse observando a natureza em ação”, explica o artista.
Para alcançar o efeito hiper-realista, o processo combina tecnologia e trabalho artesanal. As peças são modeladas a partir de fotos e vídeos em 3D, impressas com material PETG, um plástico reciclado de alta resistência e, posteriormente, recebem acabamento manual minucioso para atingir fidelidade visual.
“Buscamos um nível de realismo que cause impacto. A pessoa precisa olhar e, por um instante, duvidar se aquilo é ou não um animal de verdade. Esse impacto é o que desperta a curiosidade e abre espaço para a reflexão”, diz.
Além das esculturas, o projeto também prevê elementos interativos, como bancos em formato de pinhão e composições que simulam comportamentos naturais, como aves em ninhos, criando cenas completas ao longo da trilha.
Segundo o gestor do parque, Alvaro Fernandes Dias Filho, a iniciativa surgiu após contato direto com o artista e uma visita técnica ao Parque.
“A gente já conhecia o trabalho do Tony e sabia do potencial dele de transformar espaços públicos. Fizemos uma visita técnica juntos e entendemos que a Trilha das Araucárias era o lugar ideal para desenvolver esse projeto, porque nós precisávamos falar sobre a Araucária com os nossos visitantes e isso precisava ser feito de uma forma lúdica, interativa e impactante.”, afirma.
Para ele, o resultado será uma experiência inédita para os visitantes e com forte potencial de repercussão.
“Estamos criando algo que vai além de uma trilha. É uma experiência sensorial e educativa, que mistura contemplação, surpresa e conhecimento. O visitante vai caminhar e, de repente, se deparar com cenas que representam a vida ao redor da araucária. Isso também tem o potencial de sensibilizar as pessoas sobre a necessidade de conservação da espécie.”, destaca.
Alvaro também ressalta o caráter sustentável do projeto. Além da mensagem ambiental, o próprio material utilizado reforça esse compromisso, já que as esculturas são produzidas com plástico reciclado. É uma forma de alinhar discurso e prática.
A produção das peças já está em andamento, com parte dos modelos finalizados e em fase de impressão. A previsão é que a instalação seja concluída em cerca de 60 dias.















